Planeta dos Macacos, O confronto

Uma das distopias que mais atrai o público do cinema ao longo dos anos, com certeza é Planeta dos Macacos. Desde o original filmado na década de 70, sem efeitos especiais e fantasias hoje consideradas toscas até a refilmagem de 2001, com efeitos especiais e computação gráfica de última geração, o fato é que nós humanos adoramos a história de um mundo onde a humanidade não é mais a espécie dominante. Neste terceiro filme, vemos na verdade o que seria o segundo filme pela ordem cronológica da história. No primeiro longa somos apresentados ao mundo já dominados pelos macacos, no segundo (Planeta dos Macacos, A Origem) vemos o início de tudo, já nesta produção vemos o caminho que César e seus companheiros símios percorreram entre um ponto e outro e como a luta pelo planeta de fato aconteceu. Em A Origem, o tema central é a evolução dos primatas e o desenvolvimento de suas capacidades cognitivas, já em O Confronto, a temática central gira em torno da organização social da nova sociedade dos símios e também dos humanos que vivem em um mundo pós apocalíptico e lutam para se reestruturar.

Planeta dos Macacos

Dez anos se passaram desde que a batalha da ponte Golden Gate em São Francisco ocorreu e o grupo de primatas liderado por César se refugiou na floresta. A humanidade se encontra devastada por um vírus criado em laboratório causador da gripe dos símios. Os grupos sobreviventes lutam para se reestruturar em meio a devastação. Um desses grupos localizado em São Francisco está ficando sem energia elétrica e sua única esperança é reativar uma antiga usina hidrelétrica localizada no território dos primatas. Em uma das idas ao local, o grupo encontra o grupo dos chimpanzés e entende que o território está dominado por eles e que estes não parecem ser simples macacos. A partir dai se desenrola a história que gira em torno da possível negociação entre os dois grupos para a coexistência. Claro, dos dois lados temos os mocinhos que prezam pela paz e convivência pacífica e também os vilões que possuem o ódio enraizado e irracional contra a outra espécie. Do lado dos macacos temos Koba, um dos mais leais e próximos companheiros de César que tem um imenso ódio pelos humanos devido ao tratamento cruel que sofreu em laboratórios de pesquisa, do lado humano, a grande maioria das pessoas culpa os símios pela doença que dizimou o planeta (embora este tenha sido feito em laboratório pelos próprios humanos).

Planeta dos Macacos

 A atuação de Andy Serkis no papel de César mais uma vez impressiona. Sua capacidade de transmitir a emoção através da técnica de motion capture em cada gesto e olhar do personagem é deslumbrante e digna de uma indicação ao Oscar. Já Jason Clark como líder dos humanos não tem o mesmo brilho de James Franco, porém não faz feio. As cenas de ação e luta são também um show a parte, os efeitos especiais impecáveis e cenas bem conduzidas e emocionantes. Um dos pontos fracos do filme talvez seja o excesso destas sequencias de ação, que ficam um pouco alongadas e maçantes depois da metade do longa. A história possui uma forte carga dramática, ao trabalhar as relações entre homens e macacos e traz até mesmo um senso de igualdade, no início do filme esperamos ver mais uma história em que os homens são grandes vilões sem alma e gananciosos lutando contra os pobres animais puros e inocentes. O filme desconstrói um pouco essa idéia e mostra que dos dois lados há o bom e o ruim e que homens e macacos não tão diferentes assim, afinal.  A grande mensagem que o filme nos traz é que a intolerância e o ódio não traz nada de bom para ambos os lados.

Nota: 8.0

 

Confira o trailer:

 

https://www.youtube.com/watch?v=HJlPkTj-AvM