Bates Motel

Bates Motel é uma das séries dramáticas mais interessantes dos últimos tempos, trazendo a história por trás de um dos personagens mais famosos do cinema, Norman Bates, imortalizado por Alfred Hitchcock no clássico do terror de 1960, Psicose. A narrativa vai muito além de um prelúdio de Psicose e conquista muito além dos fãs de Psicose e Alfred Hitchcock. A série mostra como Norman Bates, um tímido e bem comportado adolescente que mora com sua amorosa mãe, desenvolve seu lado sombrio e se transforma em um psicopata. A história começa com mãe e filho se mudando para um antigo motel de beira de estrada, que Norma acaba de comprar para recomeçarem suas vidas, após a morte do falecido marido, pai de Norman. Ao contrário do filme, a série não se passa na década de 60 e sim nos dias atuais, porém os produtores conseguem criar um clima vintage de forma sutil, seja no figurino de Norma ou na ambientação da pequena cidade, que por vezes nos confunde a respeito da época em que se passa a narrativa, uma jogada de mestre que funciona muito bem. Logo no início, vemos que a relação de Norma e seu filho é um pouco fora da normalidade, com seu comportamento super protetor, Norma acaba sufocando a personalidade do filho que muitas vezes aparece como um espelho da personalidade da  mãe.

Bates Motel

 A grande carta na manga da série sem dúvida é seu elenco. Vera Farmiga em sua performance como Norma Bates conquista e nos brinda com uma interpretação impecável, mostrando uma mulher de meia idade que teve uma vida difícil e concentra toda sua vida e felicidade em torno de seu filho Norman. A personagem consegue nos cativar por mostrar a sensibilidade e a força de Norma, que começa a série passando por diversas provações e ao mesmo tempo tem que cuidar de seu frágil e perturbado filho, que é o grande amor de sua vida. Em minha humilde opinião, Vera Farmiga é a grande estrela da série. Freddie Highmore nos traz um Norman Bates adolescente, que vive sob o controle emocional da mãe possessiva, porém amorosa, por quem nutre um sentimento que mistura o amor e idolatria e por vezes o ódio, com uma interpretação surpreendente, mostrando a cada olhar e gesto o desenvolvimento da esquizofrenia latente de seu personagem. Ao longo dos episódios, Norman demonstra a crescente paixão platônica que sente pela mãe e sua dupla personalidade vai se desenvolvendo gradualmente, mas de forma sutil, sem exageros e clichês. A química entre os dois não poderia ser melhor e as cenas protagonizadas pela dupla são de tirar o fôlego. Alguns personagens completam a trama. Temos Dylan, filho mais velho de Norma, fruto de seu primeiro casamento, o xerife local barra pesada que de cara não recebe muito bem os novos moradores e Amy, colega de escola de Norma que nutre uma paixão não correspondida por ele se torna amiga da família.

Bates Motel

Ao longo da primeira temporada, podemos ver o desenvolvimento das personalidades de Norma e Norman Bates e os contornos de sua relação vão se delineando em meio as dificuldades que enfrentam em recomeçar a vida na nova cidade. O motel encontra-se em uma beira de estrada e está ameaçado de ser condenado ao esquecimento com a construção de um viaduto, que o tiraria das rotas dos viajantes que passam pela cidade. Essa é só uma das dificuldades que a família enfrenta, já que a própria cidadezinha esconde mistérios e segredos sombrios. Em resumo, Bates Motel consegue a grande façanha de entregar um prequel de Psicose de forma magistral e vai muito além disso, nos trazendo uma série independente e promissora que não traz nenhum momento de tédio em sua primeira temporada.

Nota: 9.0

 

Confira o trailer:

https://www.youtube.com/watch?v=UDpRZLPUSc8